Esta solda, que foi testada pelo Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais (CCDM) da Universidade Federal de São Carlos, é feita através de um disparo de raio laser que promove, com alta temperatura e precisão, a fusão das partes a serem unidas. Porém, o raio não promove a fusão da área total de uma só vez. Uma seqüência de disparos vai sendo realizada gradativamente. A cada disparo, a luz penetra até a parte central da estrutura. Em alguns segundos, duas peças se transformam em uma. "Foi um abreviamento dos procedimentos técnicos de laboratório", afirma Brosco.
A maior vantagem desta solda é a rapidez com que promove a união das partes metálicas das próteses dentárias. Enquanto nos procedimentos normais de soldagem são necessárias uma série de passos técnicos de laboratório, o laser simplifica o procedimento, sendo executado diretamente sobre o modelo protético, no próprio consultório.
Para entender melhor é preciso comparar este processo ao mecanismo convencional. Condicionado ao uso do velho e conhecido maçarico, o procedimento antigo passa por vários passos laboratoriais. Primeiro a peça que será soldada precisa ser colocada num forno para que adquira calor, o que facilita o procedimento de soldagem.
As vantagens do laser
Ao sair do forno, a área a ser soldada é submetida ao maçarico. Para a perfeita união, é necessária a interposição de um pedacinho de um metal que derreta mais fácil. Esta solda de menor fusão derrete e uni as partes que se deseja. "Isso vai me custar de três a quatro horas, com a solda a laser eu tenho em cinco ou dez minutos a peça pronta", informa o pesquisador.
Além da demora, a soldagem através do maçarico (que necessita do oxigênio para provocar o fogo) pode eventualmente causar uma porosidade (inclusão de óxidos) no metal, o que diminui a resistência do ponto soldado. Com o laser, a atmosfera em que é feita a soldagem é livre de oxigênio (é uma atmosfera de argônio) - o que impede a formação de óxidos.
Agora imagine se na hora da prova, a prótese necessitar de algum ajuste. Geralmente, estas próteses têm o acabamento em acrílico (que simula uma gengiva) e não suportaria o calor do maçarico. Não fosse a solda a laser, que permite reparações na prótese depois de pronta (desde que a área a ser re-soldada seja favorável), a peça teria que ser refeita. "Ela -a solda a laser- não interfere nos materiais de revestimento que estão sobre a estrutura protética", diz Brosco.
Encaixe quase perfeito
È comum a prótese dentária na adaptar-se ao maxilar do paciente devido as deformações sofridas pela estrutura durante o processo de confecção. Todo metal submetido ao calor tende a dilatar e na sua solidificação sofre uma contração. A nova técnica também resolveu este problema de tração. Como o raio laser tem alta energia, promovendo a fusão e a solidificação muito rápida, minimiza os defeitos causados pela tração.
Com a solda a laser, cada disparo poderia causar pequenas possibilidades de tração - o que poderia modificar a forma da prótese. Porém, como um disparo é seguido de outro, o primeiro, que já esta solidificada, impede que a contração aconteça. "Isso faz com que o resultado final da estrutura protética seja com pequenas desadaptações", explica.
Depois de testada e aprovada, o único entrave para a divulgação desta técnica em laboratórios odontológicos é o custo do aparelho que permite a soldagem precisa. È um aparelho importado que apenas alguns laboratórios possuem.
Brosco para realizar a pesquisa, que durou cerca de dois anos e ainda não esta completa, conta com a colaboração de outras instituições ligadas à área. Os próximos testes a serem realizados com a solda, segundo o professor, serão para verificar se ela também é eficiente quando o espaço a ser soldado é maior do que o indicado. "Ainda estamos trabalhando para formar uma opinião sobre a eficiência da técnica, para que seja divulgada com segurança à comunidade odontológica", informa.
fonte:
Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais/USP |
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